terça-feira, 29 de junho de 2010

Capítulo 2 - Quando ele voltou.

Lucca estava sentado em uma cadeira. Não, ele estava sentado em um banco de tribunal. Ele estava sendo julgado. 3 homens estavam sentados no lugar do júri. Não, era um homem de 3 cabeças.

- Decida-se agora. – A cabeça do meio falou. Era uma mulher ruiva, com nariz pontudo.

- Deixe ele pensar mais sobre o que ele viveu. – Sussurrou a segunda. Era um homem velho, com barbas e cabelos brancos.

- Pra que um julgamento se a decisão dele é a unânime? – Gritou a terceira, aborrecida.. Era simplesmente o rostinho de um bebê.

- Calem a boca! – Lucca gritou em resposta. – Me deixem raciocinar em paz. – Ele fechou os olhos, as três cabeças o encararam. Em um pequeno flash, Lucca se encontrou na frente deles. Agora ele estava de pé. Ele encarou as três cabeças.

- Seu tempo acabou. – A cabeça da esquerda disse.

- Não, eu tenho todo o tempo do mundo. – Lucca encarou um letreiro no alto, que antes não estava ali. As luzes em neon brilhavam, “Aqui você tem o tempo que quer.” As cabeças gritaram de pânico.

- Como ele consegue materializar coisas? – A da direita estava apavorada.

- Ele simplesmente deve ter estudado!

- Ainda assim ele não se decidiu. E quanto mais tempo ele passar aqui, mais tempo longe de lá, dela.

- CALEM A BOCA! – Lucca se enfureceu. Sentou-se no chão, coçando o queixo e então continuando a pensar. – Pense Lucca, voltar? Ficar? Se eu for, ela poderá sofrer. Se eu continuar meu destino, poderei simplesmente ser feliz e esperar por ela... – As três cabeças gritaram novamente, desta vez de forma solo.

- ACABOU O TEMPO! – Lucca mostrou o dedo do meio para eles.

- Certo, eu volto... – Um clarão aconteceu, e tudo ficou turbulento.



Eu estava sentada. Calma. Uma luz simplesmente estava brilhando acima da minha cabeça, a lua. Alguém estava me olhando de longe, eu podia sentir, porém não tinha coragem de observar o quê ou quem era. Ouvi passos, e em pânico me virei.

- Oi belezinha... – Um homem velho, não tão velho, vinha na minha direção. Olhei para os lados, estava sozinha. Eu me levantei, e então comecei a andar na direção oposto a dele, indo embora.

- Tenho que ir, me desculpe... – Eu corri, mas então alguém segurou meu braço. Me virei, o homem sorria maliciosamente.

- Adoro perfumes, sabia? Sua flor deve ter um delicioso... – Fiquei pálida, meu braço começou a doer. De repente o homem estava caído na minha frente. Me virei, um garoto loiro tinha acabado de nocauteá-lo.

- Está tudo bem? – O sorriso dele era o mais lindo que eu já havia visto. Os olhos eram extremamente negros, o que eu odiava, mas mesmo assim, eram lindos.

- S-sim... – Ele olhava para o homem, nem sequer havia me olhado ainda.

- Esse idiota... – Ele olhou nos meus olhos, ficando em silêncio por um segundo, e então fazendo uma cara de bebê confuso. – O que você fazia aqui sozinha? – Ele coçou a bochecha, arqueando então uma sobrancelha.

- Não sei, apenas caminhava, e me sentei um pouco... – Ele sorriu.

- Somos almas gêmeas então, fazia o mesmo. – Eu sorri. – Posso te acompanhar para casa? – Meu corpo entrou em pânico, era outro tarado.

- Acho melhor não... – Comecei a andar, no mesmo sentido que antes.

- Ok então... – Ele não me seguiu. Virei o meu rosto, ele apenas me olhava, decepcionado. Não resisti e então parei. O garoto sorriu para mim, e então começou a vir em minha direção. – Qual o seu nome?

- Sofia... E o seu?

- Lucca... – Tudo ficou turbulento novamente.



Era meu aniversário de 17 anos, eu havia passado o dia perfeito. Lucca simplesmente me levara a todos os nossos locais favoritos, e então voltamos para o parque municipal. Era proibido ficar ali de noite, então pulamos os muros. Ele pegou uma cesta de piquenique e simplesmente me puxava, eu não tinha opções.

- Anda... – Ele fazia uma cara séria, quase como se mandasse em mim. Estávamos mais velhos, 2 anos para ser exato. Não íamos aquele local a algum tempo... Ele parou, e então sorriu para mim, de forma maquiavélica. – Chegamos! – Eu olhei para os lados, estávamos no meio de um caminho.

- Onde estamos? – Ele apertou meu braço, e então falou em uma voz grossa e forçada.

-Adoro perfumes sabia? – Eu mordi meu lábio, em pânico, e então comecei a rir.

- Fazem dois anos... – Era verdade, aquela noite, anos atrás, era a noite do meu aniversário. Ele estava sério, o rosto simplesmente angelical. Eu assenti, e então nos sentamos. Lucca começou a tirar comidas e mais comidas, apenas o que mais gostávamos. Ficamos em silêncio por mais alguns minutos. Ele olhou para a lua. – Eu nunca te contei, do porque eu vim aqui aquela noite... – Eu fiquei séria, realmente não havia pensado naquilo. Ele ainda olhava para a lua. – Meu pai morreu a 3 anos atrás, exatamente hoje. Vínhamos nesse parque praticamente todos os dias. Ele amava aqui, e eu o amava. Era meu melhor amigo... – Os olhos dele estavam lacrimejando, eu me sentei do lado dele.

- Está tudo bem... – Ele sorriu, me olhando. Os rostos próximos demais. Ele não se importava com aquilo, nunca se importava.

- Ele morreu de AIDS. O sistema imunológico dele simplesmente era quase nulo... Ele pegou uma doença qualquer e... – Eu apertei a mão dele. – Eu tenho que te contar uma coisa. – Meus olhos lacrimejando, minha mente imaginando coisas ruins demais para ser verdade. – Eu sou soro positivo... – Meus olhos simplesmente se encharcaram.

- Você... – Ele me olhou, assustado.

- NÃO! Não pense bobagens, está tudo bem... Simplesmente queria que você soubesse. – Ele deitou a cabeça no meu ombro. – Você é a pessoa mais importante para mim, entende? No mundo inteiro. – Meu coração acelerou.

- Você também é a pessoa mais importante para mim. – Ele sorriu. Simplesmente me deu um beijo no rosto, e então a imagem mudou novamente.



Estávamos bêbados, em alguma boate. Lucca estava do meu lado, conversando com alguém, e eu olhava para os homens apenas de cueca no palco.

- Cara, porquê vocês não namoram logo? – O garoto sussurrou. Eu arregalei meus olhos, e olhei para o menino do lado de Lucca. Era Rodrigo, um menino da escola que supostamente se considerava melhor amigo dele.

- Simplesmente porquê somos amigos. – Meu coração se apertou, Lucca não havia reparado que eu prestava atenção na conversa.

- Nossa, mas vocês são o par perfeito... – Até mesmo as pessoas da escola achavam isso. Todos menos o Lucca.

- Não, simplesmente não podemos. – A voz dele foi se abaixando. – Não quero misturar meu sangue com o dela... Seria asqueroso, sentir que... – Eu comecei a chorar, ele me odiava? Ele se virou, assustado. – O que foi?

- Nada... – Ele sorriu para mim.

- Quer ir embora? – Eu fiz que sim com a cabeça. – Ok... – Ele se levantou, sem nem se despedir de Rodrigo e então me ajudou a sair da boate. Eu deveria ter entendido errado, ele era o meu príncipe, ele não iria falar aquilo...




Eu abri meus olhos, olhando para o teto. Agora eu realmente estava acordada. Suspirei, e então deitei minha cabeça, vendo então o vulto em pé, quase transparente, na minha frente.

- Não se assuste, por favor.

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