domingo, 4 de julho de 2010

Capítulo 3 - A ponte

Eu não me movi, apenas fiquei a olhá-lo. A imagem não tão nítida mas mesmo assim, a que eu mais queria ver. Ele me encarava, esperando que eu gritasse ou então tivesse um surto. Não, não iria fazer isso. Ele estava ali, o meu Lucca. Fechei meus olhos, contei até 10 e então os reabri. Ele continuava ali, me encarando.

- Sofia? – A voz dele estava normal, como sempre era. Era mesmo o meu Lucca, e mesmo que não fosse, era melhor que nada. Ele andou em minha direção, me olhando. – Sofia, você está me ouvindo? – Eu fiz que sim com a cabeça, sentindo o travesseiro molhado. Pelas minhas lágrimas. – Sofia... – Ele respirou fundo, talvez não pudesse chorar, mas mesmo assim seu rosto estava repleto de emoção. – Você está bem? – Eu fiz que não, escondendo então meu rosto no travesseiro. – Antes que eu volte... Eu tenho que te falar uma coisa. – Eu levantei novamente meu rosto, ele estava mais próximo. Minha tentação era a de tocá-lo, mas... Meus braços simplesmente não se moviam por medo. – Eu te amo.



Existem momentos em nossas vidas, que percebemos que tudo o que fizemos até então não faz sentido. Nada realmente importa, e nada realmente não importa. Tudo tem o mesmo valor, se analisarmos bem. Porém estamos com tanta pressa na maioria das vezes, e estamos tão iludidos por algum sentimento, que não nos damos conta, e escolhemos um “algo” para se tornar a melhor coisa da nossa vida. O meu “algo” era ele.

Eu não sabia que horas havia dormido novamente, talvez assim que ouvi aquela frase. 7 letras, 3 palavras. Quando acordei, ele simplesmente não estava mais lá. Me lembrei de quando ele disse que teria que voltar. Uma lágrima caiu, mas na verdade, eu sentia como se estivesse tudo bem. Não sabia por que ou como, mas estava.

Olhei para o despertador, eu estava dispensada da escola por tempo indeterminado, segundo meus pais e meu psicólogo. Não me importava mais. Saí da cama, e então fui até o armário, pegando roupas que eu normalmente usaria para ir à escola. Fiquei na frente do espelho, esperando que ele voltasse. Passei os olhos pelo meu rosto, eu estava agoniada, realmente como se procurasse por algo muito importante.

Desci para o café da manhã, a mochila nas costas e as unhas na boca, as roendo. Meu irmão sorriu, novamente como se nada de extraordinário estivesse acontecendo. Meu pai e minha mãe já haviam saído. Ele perguntou se eu queria algo para comer, eu disse que sim, que estava com fome.

- Quer carona para a escola? – Eu fiz que sim novamente. Depois de alguns minutos estávamos dentro de seu carro, e após mais alguns estávamos na porta da escola. – Tenho que ir trabalhar, qualquer coisa me ligue, certo? – Eu sorri, agradecida pela preocupação. Ele beijou minha testa e eu saí do carro. Todos me encaravam. Alguém se aproximou, e eu demorei alguns minutos para perceber que era Gabrielle. Ela era minha melhor amiga, até que cortei relações com todo o mundo e tranquei a porta de meu quarto, para que ninguém nunca mais me incomodasse.

- Oi. – Ela estava tão nervosa quanto eu.

- Oi... – Eu mordi meu lábio, o resto das pessoas ainda me encarava. – Me desculpa? – Ela sorriu, e então me abraçou.

- Ignore as pessoas, com o tempo tudo volta ao normal. – Eu fiz que sim com a cabeça, e ela então começou a entrar comigo na escola, com um braço ao redor da minha cintura, praticamente me obrigando já que sabia que agora a minha vontade era a de fugir. Estudávamos na mesma sala, o que praticamente ajudava e muito. Ela se sentou do meu lado, no fundo. As aulas passaram normais, apenas tive que me esforçar em tentar acompanhar as matérias. Mas isso iria acontecer de qualquer forma.



- Bem, em resumo é isso, tudo. – Ela sorriu, terminando de contar os últimos acontecimentos da cidade em detalhes. Agora eu estava a par ao menos das novidades, ou “fofocas”. Me levantei do sofá, metade da pipoca que estava no meu colo caindo. Fui até a cozinha e peguei um refrigerante de novo para tomar. Comecei a andar de volta para a sala.

- Sofia... – Eu me virei, o procurando.

- Lucca? – Ele estava ali, eu tinha certeza, absoluta. – Lucca? – Eu comecei a andar, o procurando. Olhei no jardim inteiro e também no resto da cozinha. Comecei a andar pela casa.

- O que foi? – Eu ignorei Gabrielle. Continuei a procurá-lo. Subi as escadas apressada, sem saber aonde ele poderia estar.

- Sofia... – Eu entrei no meu quarto, e lá estava ele, simplesmente me olhando.

- Você voltou. – Fechei a porta atrás de mim, e comecei a andar na direção do garoto. A porta se abriu e ele evaporou.

- Sofia, você está bem? – Eu me virei, para encará-la. – O que aconteceu? – A expressão dela estava assustada. Ela simplesmente correu e me abraçou. – Está tudo bem, ok? Não precisa chorar... – Eu suspirei, continuando a mentira que se formava na cabeça dela.

- Foi mal... Estou melhor, juro. – Eu limpei o rosto, e ela me levou para baixo.



- O conselho a partir de agora concorda então, sobre a destruição da ponte dos mundos? – Muitos homens de negro levantaram as mãos. Um dos poucos não o fizeram levantou a voz, perguntando.

- E quanto a aqueles que simplesmente já estão no outro mundo? – Houveram vários murmúrios. – Eles ficarão presos? Isso os destruiria! – As pessoas concordaram.

- Seria a pena que deverão pagar por interferirem na vida dos mortais. – Mais murmúrios aconteceram.

- Godlök, você mesmo já cometeu este delito. – Todos encararam o líder da dimensão soberana. Ele ficou vermelho de vergonha. – Não venha agora culpar a todos, por simplesmente sentir falta dos entes queridos. Você simplesmente não volta, por que todos os que você amava já estão mortos. Por você, diga-se de passagem.

- Isso é imprudência! Todos já fizemos isso, e agora é o momento em que todos deverão parar.

- Que tal simplesmente esconder a ponte? – Disse um homem ao lado de Godlök.

- Onde?

- Não em um lugar fixo, mas sim em alguém. – Todos pensaram e assentiram.

- Em quem? – Eles pararam para pensar.

- Em alguém que demore para morrer, e que esteja entrelaçada com alguma das profecias. – Todos assentiram. – Quando esta pessoa morrer, simplesmente transferimos para outro corpo. Isso não as afetará, de qualquer forma. Ao escondermos a ponte, apenas aqueles que souberem do segredo poderão atravessar. – As pessoas assentiram novamente. – Escolhemos de forma aleatória então, apenas um de nós irá saber em quem foi escondido, e os outros jamais deverão perguntar onde. A sessão acabou. – Godlök se levantou, indo até a porta dos fundos e a atravessando. Um de seus conselheiros o acompanhou.

- Você deverá escolher ainda hoje, antes que a notícia de que a ponte será escondida se espalhe. – Godlök assentiu. – Você deverá agir agora. – Godlök parou de andar. Foi até a janela e então observou o tribunal dos espíritos. Na verdade era um conselheiro de três cabeças, que simplesmente ajudava os espíritos recém chegados a irem ou permanecer na dimensão soberana. Poucos realmente permaneciam, a maioria voltava para ver os entes que amavam. Ou então para atormentar aquele que mais o atormentava.

- Já está feito. – O homem o encarou.

- Já? – Todos sabiam que Godlök era o protetor da ponte. Na verdade era também seu criador. Ele encarou o conselheiro, assentindo com a cabeça.

- Sim, agora é apenas esperar a revolta que está por vir após todos descobrirem. – Os dois se encararam. Apesar de tudo, conter a revolta seria fácil.

4 comentários:

  1. Nossa, valeu *-* espero que realmente esteja gostando :D

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  2. OMG :O
    bom de maiss estou ansiosa por mais *.*
    essa tal "ponte" vao esconde-la na Sofia né?
    Beijós!

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  3. Não, hahaha xD Não vou dar detalhes, mas uma dica é o nome do livro

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